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Casos e altas nas décadas de 80 e 90
Adolpho Oliveira Júnior
Início do tratamento: Novembro de 1982
Término: Os pais não se lembram exatamente o que aconteceu com o filho. Aos dois anos ele levou um tombo e a partir disso parou de falar o pouco que sabia e também parou de andar. Um ano mais tarde voltou a andar e aos cinco anos retornou um pouco da fala. Os médicos consultados pela família nunca deram um diagnóstico preciso sobre o seu caso, mas Adolpho não era uma criança normal.
Uma longa travessia iria ser trilhada por seus pais. Adolpho não conseguia ser alfabetizado. Primeiro levaram para a APAE, depois para a Pestalozzi, e mais tarde para uma escola especial. Segundo seus pais "Adolpho era muito agitado, agressivo e também apático. Na escola apresentava muita dificuldade de assimilação".
Adolpho de Oliveira Júnior chegou no Centro de Reabilitação Nossa Senhora da Glória no final do ano de 1982. Estava com 15 anos e pesava 90 kilos. Passava várias horas do dia sem fazer nada em casa. O seu problema psico motor era considerado grave e precisava ser trabalhado com urgência; Seu caso era considerado quase perdido.
A vida dessa família paulistana teve então que se transformar. Os pais de Adolpho passaram a cordar todos os dias às seis horas da manhã e aprenderam a fazer um revezamento para poderem realizar a programação do Centro. Enquanto D. Maria Aparecida pesquisa e elabora as fontes do trabalho (fotos, pedaços de inteligência, cartazes, etc), Adolpho de Oliveira, o pai, realiza a parte física junto com o filho. Não foi fácil, mas todos tiveram que reaprender a arrastar, a engatinhar, a braquear, e até correr. Os dias são longos para Adolpho. Depois de cumprir toda a programação, às 17:00 horas, ele descansa um pouco e à noite vai para o supletivo, onde ficadas 19:30 às 22:00 horas. No dia seguinte é a mesma coisa. "Aos poucos ele vai mudando de comportamento", afirma a mãe bem mais otimista.
Em casa, Adolpho de Oliveira Júnior tem bom relacionamento com as três irmãs de 23, 20 e 11 anos. Elas ajudam, incentivam e dão idéias sobre a realização da programação. A irmã menor, principalmente, faz tudo junto com os pais. No fim de semana, Adolpho gosta de andar de bicicleta, de pescar e de nadar. Além disso, é também uim filho muito prestativo: ajuda a limpar a casa, a varrer o quintal e a lavar o carro.
Maria Aparecida e Adolpho de Oliveira são muito gratos ao Centro de Reabilitação Nossa Senhora da Glória pelo apoio que sempre deram ao seu filho.
OBS.: Caso publicado no órgão informativo do Centro de Reabilitação Nossa Senhora da Glória "O Raymundo V", em Julho/87.
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Alexandre Rodrigues de Oliveira
Início do tratamento: Janeiro de 1986 aos 158 meses de idade
Término: 1990, aos 216 meses
Queixa principal: deficiência visual e problema de aprendizagem
Nasceu com seis meses e meio de gestação, ficando três meses na incubadora.
Aos cinco meses, a mãe percebeu um estrabismo muito acentuado.
Não foi aceito para ingressar na escola por falta de condições para o aprendizado.
Quando inciou o programa, apresentava muita timidez, nervosismo, não conseguia ler ou escrever e sua compreensão era muito pobre.
Em 1990 teve alta aos 216 meses, lendo e escrevendo, com excelente condiçõe física, preparado para iniciar a escolaridade.
Atualmente, Alexandre é membro da Equipe dos Institutos, atuando na área motora e à noite estuda. Este ano terminou o primeiro grau.
Joice Arruda Ferrarezi
Início do tratamento: Maio de 1999 aos 13 meses de idade
Atualmente com 6 anos, seus pais procuraram nossa Instituição em 16/05/90, portadora de Encefalopatia Pré- Natal, (problema de RH dos pais).
Ao nascer, apresentava icterícia, foi indicado à transfusão de sangue, tendo a bilirrubina chegando a 19%.
Foi internada na UTI durante sete dias sob a observacão ao ter alta da UTI, apresentava tiques em várias partes do corpo (dedos, mãos, pés, pernas, rosto e boca). Os tiques e as crises foram aumentando e após um E.E.G., passou a tomar 20 gotas de Gadernal diariamente.
Aos nove meses, as crises pioraram sendo diagnosticada como portadora da Síndrome de West, confirmada pelo E.E.G.
Fez outros tratamentos com diversos medicamentos,. as crises se localizaram na perna direita que ocorriam a cada dez dias, com duração de dez minutos.
Ela não sentava, não apoiava nas mãos, não arrastava, nem se interessava em pegar objetos e só brincava com eles quando colocado em suas mãos.
Ao ser avaliada aos 13 meses, não tinha visão, nem audição, nem tato compatíveis com sua idade, sua mobilidade e linguagem era de um recém nascido, assim como uso das mãos.
Nesta ocasião os pais se mostraram bastante desanimados com o seu futuro. Colocada na programação desde junho de 1990, Joice teve um avanço no seu desenvolvimento físico e sensorial.
A última reavaliação nos mostrou uma Joice bastante diferente, já arrastava, já engatinhava, já andava, já falava com vocabulário completo e já está lendo ao nível de sua idade, usa as mãos para comer, compreende tudo que se fala com ela e sua parte tática está normal.
Faz ginástica olímpica sozinha, já viu cerca de 2.045 pedaços de inteligência, 258 programas de inteligência, leu 242 cartilhas e 6.615 palavras. Viu a tabuada convencional nas quatro operações, e problema simples de adição e subtração.
Apesar da grande evolução da Joice, o quadro de crises convulsivas, continua prejudicando suas atitudes. Sua família passou a acreditar em sua recuperação e tem servido como referência, pelos resultados, para outras famílias, que foram estimuladas a nos procurar pelos seus pais.
Para os pais o que tem acontecido de mais importante na Joice, recentemente, é sua independência que está surgindo e que a evolução da Joice está superando as suas expectativas.
Obs.: Caso publicado no órgão informativo do Centro de Reabilitação Nossa Senhora da Glória "O Raymundo V", em Setembro/95.
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veja também:
Perfil:
O Perfil do Desenvolvimento dos Institutos é uma descrição do desenvolvimento das funções cerebrais da criança normal, desde o parto até a idade de seis anos.
No passado acreditava-se que este desenvolvimento era predestinado e inalterável, como resultado de uma herança genética imposta em um planejamento rígido de tempo e seqüência.
O trabalho da Equipe dos Institutos desde 1940 até hoje, tem mostrado que não é verdade.
Vitórias:
Que cada criança, jovem ou adulta, portadora de lesão cerebral ou com problemas de ordem neurológica, ao procurar a Instituição receba uma programação de acordo com suas necessidades motrizes, sensoriais e fisiológicas.
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